Fez
o que tinha a fazer:
A mulher profissional chegou a casa,
livrou-se dos sapatos de salto alto,…colocou o avental, o elástico nos
cabelos negros e de um jeito invisível aprontou a mesa e o jantar…qual super
herói, troca de capa e o avental é agora sujo de tintas…entrou no seu
esconderijo secreto e…aproveitando a luz do fim do dia…fez acontecer magia na
tela ao som do violino que parecia chorar num lamento que se cravava na alma….e
em movimentos que mais pareciam uma dança, pintou cada detalhe daquele corpo nu e imaginário semi enrolado numa branca toalha, onde gotas escorriam e se
transformavam em puro desejo… pela porta de rompante entrou a filha mais nova
agarrada àquela fralda carunchosa mas que era só dela.
Com as mãos no ar,
abraçou-a e deixando cair madeixas do cabelo sobre o pequeno rosto que lhe
sorria, como aquele último raio de sol que anuncia: É hora de dormir!....e era
agora a contadora da mesma história, onde havia uma princesa na torre do
castelo e que o príncipe vinha salvar….e depois daquela doce alma adormecer…. A
princesa tornava-se a rainha do castelo, do dragão e de si mesma…sem avental
nem vestido amava-o até caírem ofegantes, exaustos e suados de tanto prazer…e
adormecia com o seu rosto encostado ao peito dele onde se ouvia bater um
coração descompassado…até ser dia, outra vez…
Marina
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