Amargo é o som
angustiante do grito da mãe que perdeu um filho.
Amargo é o
sentimento de nada poder dizer além de que vai passar…mas nunca passa.
Amargo é isso
mesmo, é o sabor daquela dor que nunca acaba de passar…
Amargo é o som
arrepiante da corda que roça na madeira do caixão.
Amargo é o som
seco da pancada no fundo da cova.
Amargo é o saber
que és tu que ficas ali.
Amargo é o som da
terra lançada sobre aquela caixa de madeira.
Amargo é saber que
tudo ali se acaba e ouvir os sinos tocar como se te abrissem as portas do lugar
para onde dizem que vais…
Amargo é olhar os
outros nos olhos, àqueles que esperam que chore…
Amargo é o sabor
do meu sorriso, que me defende.
Amargo é querer-te
e não te poder ter, não poder voltar sequer a sentir o toque suave das tuas
mãos.
Amargo e doce é
saber que não estás, mas sentir o teu perfume onde quer que eu vá.
Amargo e doce é
ouvir a tua voz como se fosse uma melodia que nunca acaba de tocar…
Amargo é observar
a noite cair silenciosamente e desejar que o sono se abata sobre mim para
sempre e abraçar a tua alma.
Marina

