quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O Natal dos Anjos...





 
Olho pela janela salpicada pela chuva e vejo a correria daqueles que passam e tento adivinhar, pelas expressões dos rostos, o que fizeram, o que vão fazer....As cores dos chapéus de chuva contrastam com o cinzento do céu e parece que brilham as folhas das árvores que dançam com o vento.
 
Oiço uma música bonita, calma e envolvente e lembro-me do que nunca esqueci... E gosto de me sentir assim... junto a ti... estando assim tão longe... 

E olhando bem lá para fora, parece que a correria se transforma em dança, que as folhas das árvores são luzes de Natal, as gotas da chuva parecem plumas que caem lentamente e a música são os sinos que tocam e todos sorriem e eu também, porque te vejo no meio deles...

Feliz Natal.

marina


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Saudades e lembranças....


  









Na casa da avó Maria...

 

Dormiu como dormem os anjos em lençóis brancos de algodão com um aroma floral, como cheiram os lençóis lavadinhos, acabadinhos de passar e colocados na cama pelas nossas mães e pelas nossas avós.

Despertou com os primeiros raios de sol que a beijavam e lhe prometiam um dia radioso ao entrar pelas frestas da janela.

Recordou os tempos de criança em que dormia em casa dos avós e acordava assim, com o sol a espreitar pela esverdeada vidraça da porta da rua e se reflectia no chão do corredor e que ela via da sua pequena cama por entre o cortinado que fazia de porta.

Sentia o cheiro das torradas e do café da manhã que a avó tinha preparado lá cozinha.
Pulava da cama, caminhava descalça pelo chão frio até à cozinha e que bem lhe sabiam aquelas torradas com manteiguinha derretida…

Lá fora, ouvia o tiritar da bicicleta do avô. Lá ia ele rua abaixo, de chapéu na cabeça, hirto, com os dois pés sobre um só pedal. Parecia um trapezista…

Depois de tomar o pequeno-almoço, a avó aparecia com uma toalha molhada com água gelada e a cheirar a sabão e esfregava-lhe a cara com força.

Vestia-se à pressa e sem se pentear corria até ao quintal onde estava o avô.
Adorava entrar na casinha de madeira para ver os cabritinhos e o avô a ordenhar a cabrinha.

Gostava de caminhar sobre a palha e a caruma seca e de senti-la estalar sob os pés... 

Marina

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Deixar ir...

Às vezes não há outra solução a não ser "deixar" ir...

 ...eu não consigo esquecer-me de nada.

Queria ter-te pedido que me envolvesses no teu abraço e que não me deixasses...
Queria ter-te pedido que ficasses...ter-te pedido que fizesses o nosso abraço durar uma
eternidade... e que me adormecesses para sempre, se tu fosses embora...

E deixei-te ir...não me levaste contigo, mas ficaste em mim e levaste metade de mim em ti....

Marina

segunda-feira, 14 de novembro de 2016














Suavemente...
Marina Pires

Dark Angel




Gosto de ouvir a chuva a bater na vidraça, mas não gosto de ouvir o vento a tentar passar pelas frestas…
Gosto de pisar, descalça, a relva molhada, mas não gosto de sentir os pés empoeirados…
Gosto de ver o sol brilhar no azul do céu, mas também gosto de olhar as nuvens que anunciam tempestade e do cheiro da terra molhada…
Gosto de me banhar no mar…
Mas não gosto de sentir a pele salgada.
Gosto do cheiro a tinta, a gasolina e a diluente e das violetas da praça aos sábados pela manhã…
Gosto do som do saxofone desafinado…
Gosto de desejar boa noite às estrelas e de esperar acordada para ver o sol nascer…

E de te ouvir chamar o meu nome…

                             Marina